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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

O RPG e a História

   

     Há muito tempo atrás em uma galáxia distante... Eu conheci um jogo chamado de Role Playing Game (RPG). Foi exatamente em 1992 que encontrei um grupo jogando GURPS (Generic Universal Role Plaing System). Desde então, foram muitos anos de jogatina utilizando vários sistemas diferentes e viajando por diversos mundos e situações. Como sempre gostei muito de História, o RPG foi uma "Mão na roda" para que eu pudesse simular situações de combate e cenários históricos. E sempre achei que jogar RPG seria uma excelente ideia para se aprender História! 
     Pra quem não sabe, o RPG é um jogo onde se interpreta papéis, como se fosse um teatro. Cada jogador cria uma personagem e deve agir de acordo com a personalidade que o mesmo escolheu para ela. Sim, você cria todos os aspectos de sua personagem: se ele é forte, ágil ou inteligente, se tem algum vício, se é rico, pobre. Pode-se criar qualquer tipo de personagem em qualquer época dependendo do RPG escolhido. No caso do GURPS (Meu sistema favorito) pode-se criar histórias em qualquer período da História (E mesmo aventuras futuristas). O nível de detalhamento do GURPS é absurdo! Todos os aspectos podem ser levados em consideração, desde os parâmetros básicos até as minúcias como o peso que a personagem leva consigo afetando o deslocamento. Uma pessoa assume o papel do Mestre de Jogo e passa a narrar os fatos, interpretando todos os "coadjuvantes", ou seja, todos as personagens que não foram criadas pelos jogadores. As ações são baseadas em parâmetros predefinidos e refletidos em números. Deve-se jogar dados para verificar se as ações foram bem sucedidas. Quanto maior é um parâmetro, mais chance se tem de ser bem sucedido em uma ação. A ideia aqui não é descrever detalhadamente como se joga RPG, então acho que o que descrevi até aqui é o suficiente para que o leitor entenda onde quero chegar.
     Uma das coisas que os alunos mais reclamam da aula de História em geral é a falta de dinâmica dos professores. O esquema é sempre o mesmo: ou o professor lê e explica o conteúdo ou faz com que seus alunos leiam para depois começar um debate. Na maior parte do tempo, nos dois casos, o aluno está passivo. Agora imagine uma aula de História da Segunda Guerra Mundial onde os alunos assumem papéis de protagonistas, agindo dentro de um contexto histórico. Isso faria com que o aluno ficasse mais atento e mais envolvido na aula. Ele passaria a atuar como um diplomata, um general, uma civil em meio a guerra, um repórter... Isso é apenas uma das abordagens possíveis! Pode-se criar "n" situações e envolver os alunos, basta um professor que tenha conhecimento de como se joga o RPG. 
   Já existem algumas iniciativas, como a do professor Ricardo Ribeiro do Amaral disponível no site: http://www.rpgnaescola.com.br/ Eu espero sinceramente que um número maior de acadêmicos entendam a importâncias da técnica do "teatro da mente" no ensino em geral.
     Em 2005 fui voluntário do projeto "Amigos da Escola" em Itu, São Paulo, e jogava com as crianças nos fins de semana como atividade complementar. Foi uma experiência muito positiva, apesar de extracurricular para os alunos, mas acredito que o RPG pode ajudar muito além disso. Entender que nem toda luta na era medieval acontecia entre cavaleiros com armaduras e espadas já é um começo (entender que uma parcela mínima do combate acontecia com alguém de armadura completa seria o ideal...). O GURPS nos ensina que alguém utilizando um machado de combate não consegue golpear rápido o suficiente para acertar dois ataques seguidos, pois o machado é uma arma desbalanceada que exige preparação para o ataque. Ensina que armaduras de metal são extremamente caras e que quase ninguém na era medieval era capaz de ter uma armadura e que era muito complicado vesti-la de repente (vestir uma armadura requeria alguém para afivelá-la em você...). Esses e outros detalhes são muito importantes para o historiador militar!
     Enfim, este post tem a finalidade de instigar em vocês a curiosidade sobre como o RPG pode ajudar em sala de aula, especialmente nas aulas de História. Se você não sabe do que se trata o RPG e meu artigo não foi suficiente para responder suas perguntas, eu fico feliz! Sinal de que você realmente se interessou pelo assunto. Neste caso procure na internet e vai encontrar informações suficientes para esclarecer suas dúvidas. Se preferir, pode perguntar aqui nos comentários que terei enorme prazer em responder!

Até mais!




segunda-feira, 21 de abril de 2014

A Pesquisa na “Era da Informação”



A partir de hoje, passo a publicar uma série de trabalhos que já foram avaliados pelos professores da universidade. Neste aqui, o tema é "pesquisa histórica" e foi tema de uma Avaliação no curso de Licenciatura em História, segundo semestre, matéria "Teoria da História".


A rede mundial de computadores, internet, introduziu um novo meio de pesquisa. Desde que surgiu até hoje, sofreu vários aperfeiçoamentos e é um dos principais meios de se obter informações, sejam notícias, busca documental, procura em base de dados entre outras possibilidades. Estaríamos presenciando a obsolescência das fontes não digitais? Até que ponto a revolução tecnológica está sendo benéfica aos pesquisadores? Esta é uma análise dos textos de dois historiadores, sejam eles Carlo Ginzburg, em dois vídeos, e Robert Darnton na resenha “Cinco mitos na idade da informação”.
Os dois autores concordam que não é a primeira ocasião que o mundo presencia uma “Era da Informação”. O surgimento da imprensa, por exemplo, teria surtido um efeito semelhante no mundo muito antes dos computadores existirem. A novidade da internet, no que tange à pesquisa, não seria o conceito, os enciclopedistas tiveram idéia semelhante, mas sim a tecnologia utilizada. A leitura fragmentária, outra preocupação dos dois autores, realizada em blogs e outras mídias sociais nos dias de hoje, também já seria utilizada anteriormente por juristas e homens públicos, desde a antiguidade, que utilizavam partes de textos para realizar interpretações por vezes descontextualizadas com propósitos diversos. Para Ginzburg, esta leitura seria superficial e prejudicial. Somente uma educação prévia e uma leitura “lenta e profunda” levaria a uma boa utilização dos textos. Darnton não é tão pessimista em relação à leitura fragmentária, defendendo que a mesma pode ser benéfica caso seja aliada a um bom entendimento. Ginzburg enxerga a internet como instrumento “potencialmente” democrático, que atualmente se encontra disponível apenas para alguns privilegiados. Darnton não tece considerações diretas a esse respeito.
Ponto pacífico entre os dois textos é que a pesquisa na internet pode gerar problemas de interpretação. Com muita informação disponível, nem todas confiáveis, o leitor pode chegar a conclusões que não correspondem aos fatos, "interpretando interpretações" já equivocadas. Na internet, qualquer um pode escrever ou falar qualquer coisa. Não é mais necessário para se colocar um livro on-line passar pelo crivo de um editor, por exemplo. É uma facilidade e tem seus benefícios, mas traz riscos a quem pesquisa. Há, então, na internet, “jóias misturadas ao lixo” como observou Ginzburg. Ainda nas palavras de Ginzburg em sua palestra: “O Google é, ao mesmo tempo, um poderoso instrumento de pesquisa histórica e um poderoso instrumento de cancelamento da História, pois no presente eletrônico, o passado se dissolve”. Darnton, logo no início de seu texto, alerta: “(...) ao tentarmos nos orientar no ciberespaço, frequentemente apreendemos coisas de forma errada e esses equívocos se disseminam tão rapidamente que são incorrigíveis”.
Darnton nos mostra que muitos mitos surgidos sobre a chamada “Era da informação” são inverídicos. Entre estes falsos mitos dois se destacam: o livro impresso não está em decadência. Pelo contrário, a edição de livros nesse formato vem crescendo a cada ano; nem toda informação está disponível on-line e, consequentemente, ainda devemos consultar bibliotecas. Ou seja, por mais maravilhosos que possam ser os mecanismos de busca na internet, e sem dúvida facilitaram muito a pesquisa, como o Google, citado por Ginzburg, eles ainda estão longe de abarcar todo o conhecimento textual disponível.
O mito do “futuro digital” também é contestado. Darnton crê que uma nova mídia não destrói necessariamente a anterior, e cita como exemplo que a televisão não acabou com o rádio e que a internet não acabou com a televisão. No ponto de vista de Ginzburg, as fontes digitais não devem concorrer com as fontes físicas, mas sim complementa-las.
Da análise dos dois textos podemos chegar às seguintes conclusões: a internet trouxe novos meios de se pesquisar a História. Facilitou, também, a publicação de artigos, revistas e resenhas, que se encontram aos montes na rede. Diversos projetos atualmente estão empenhados em digitalizar fontes históricas e já é possível acessar documentos importantes sem sair de casa. Como nem todas as fontes estão em formato digital, a pesquisa em arquivos, museus e bibliotecas ainda são necessárias, e talvez nunca deixem de ser, visto que algumas fontes requerem um exame físico, como estátuas, jarros, utensílios e outros objetos que só fazem sentidos se observados in loco, mesmo que possamos vê-las por meio de fotografias (digitais?).
Com a maior facilidade de publicação surge também o problema da qualidade, isto é, deve-se estar atento para as informações irrelevantes, que são muitas, disponíveis on-line. Devemos lembrar que qualquer um pode escrever qualquer coisa, e avaliar o quanto de crédito cada informação merece.
Como no caso exposto por Ginzburg na segunda parte de sua palestra, a descontextualização e a livre interpretação podem induzir quem está pesquisando a uma conclusão equivocada. E há quem se interesse até por essas interpretações errôneas, seja por que se tornam mais atraentes seja por que se tornem mais convenientes.
Por fim, não devemos temer a “era da informação” e sim nos adaptarmos e tomarmos os devidos cuidados ao lidarmos com uma tecnologia extremamente inclusiva. A História é uma grande beneficiária da internet, mesmo com todos os problemas que estão presentes na rede.


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

O Brasil e o interesse por História

     
Ao realizar as primeiras provas presenciais do semestre, pude conversar um pouco melhor com meus amigos e amigas de turma (curso licenciatura em História atualmente). Percebi que a grande maioria já exerce alguma ocupação remunerada, fato que se enquadra no perfil das pessoas que escolhem a modalidade EAD (Ensino a Distância). Mas observei também o seguinte: essas pessoas, em sua maioria esmagadora, não pretendem exercer a docência. Não querem ser professores... por quê?
     Três alunos estão no último período de Direito, prestes a se tornarem Bacharéis. Perguntei o motivo de cursar História e a resposta foi a seguinte: um deles alegou que a matéria seria importante para um concurso que pretende prestar. Os outros dois disseram que gostam de História, estão fazendo por prazer, mesmo. Existem profissionais de áreas improváveis, como engenharia e até mesmo um dentista. Nenhuma das pessoas com quem conversei disseram ter a intenção de se tornarem professores de História no ensino médio.
     A resposta para esse desinteresse pela docência parece óbvia hoje em dia, diante de tudo que acompanhamos nos noticiários na TV e em todo o tipo de mídia. A carreira de professor está desvalorizada. A pessoa, que ama a História, só se arrisca a cursar uma faculdade após já ter um meio de sustento, após já estar estável economicamente. Esse é o perfil da maioria. A única carreira de docência que vale à pena é a do Ensino Superior Público. No meio militar os interessados em História atuam paralelamente à carreira das armas. Muitos não podem exercer o magistério por questões estruturais, caso dos sargentos (o magistério militar é reservado aos oficiais e não é permitido cumulativamente ao militarismo). Outros, mesmo estando habilitados, não encontram vaga na instituição (são muito poucas), e preferem manter a estabilidade do que abandonar a carreira e se tornarem professores. Mas não são só os militares (os citei por conhecer esta realidade de perto), advogados, engenheiros, jornalistas e pessoas de outras profissões gostariam de viver fazendo o que realmente gostam, mas não podem. Além de serem professores (o que não daria tanto retorno como suas atuais profissões) o que poderiam fazer com os conhecimentos adquiridos no curso de História?
     Vamos analisar agora o mercado editorial para os historiadores. A lista de livros mais vendidos segundo a Revista Veja, na parte de Não Ficção, apresenta seis livros com temas de História entre os vinte primeiros. Confiram no link: http://veja.abril.com.br/livros_mais_vendidos/ . Todos foram escritos por jornalistas. Por quê?
     Minha opinião: os nossos maiores expoentes no ramo da História estão dentro das universidades. São doutores e doutoras que produzem, e muito. Mas a divulgação é feita somente no meio acadêmico. É necessário e importantíssimo que assim seja. Mas a linguagem de suas obras é, por vezes, ininteligível para grande parte da população. O impacto de suas pesquisas só fica conhecido na sociedade em geral através dos livros dos... jornalistas! Eles utilizam o conhecimento gerado por esses Historiadores profissionais, lendo seus trabalhos, e transformam em literatura acessível, sem a rebuscada escrita acadêmica. Esses jornalistas estão prestando um serviço à História. A relação candidato - vaga nas universidades comprovam a alta demanda pelos cursos, assim como o número de livros lançados no mercado e o consumo dessas obras também são indicadores positivos.
     Critica-se a iniciativa dos jornalistas. "Não tem formação para escrever História!". Concordo que nem todos tem tratado a História como se deve. Para alguns falta arcabouço teórico, a outros falta quase tudo além da vontade de escrever. Mas existem os bons, também! Aqueles comprometidos com as fontes e com a pesquisa em geral. Não podemos negar que existe um nicho de mercado. Se os professores de História e Historiadores não suprirem esta demanda, outros o farão. As obras podem ser contestadas como fontes acadêmicas, mas seus valores existem e não são poucos.
      Amantes da História, não desistam! Existe vida fora da academia. Sejamos professores em todos os níveis! Escrevamos para o grande público! Ou isso, ou os jornalistas o farão. Ou os engenheiros, advogados, médicos...
     

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O Museu Naval - Nossa História

Estive hoje, mais uma vez, no Museu Naval, localizado na Praça XV, Rio de janeiro. É um ótimo lugar para quem curte a História Naval Brasileira. Lá existem maquetes de navios de várias épocas, canhões variados, uniformes e outras atrações que deixam o fã doido. Para quem quiser visitar, fica praticamente ao lado do Passo Imperial, próximo às barcas.

Quanto mais me aprofundo na História Militar do Brasil, mais fico chateado com as pessoas que só gostam de estudar a História de outros povos. Existem muitas coisas muito interessantes para se estudar Brasil afora! Se você mora no Rio, pode explorar o centro da cidade, onde muitas construções e locais históricos estão à disposição para a visita! Tivemos aqui a França Antártica, a Revolta da Vacina, o levante Tenentista... Mas se você mora no sul tem a Farroupilha, a Guerra do Paraguai, a campanha do Contestado... no nordeste pode estudar as invasões holandesas, no norte a questão do Acre, em São Paulo os Bandeirantes, a revolução de 1932, e assim por diante. Isso sem contar que de qualquer Estado ou cidade qualquer um pode ler sobre qualquer acontecimento citado! Temos muitos vultos nacionais de grande importância que muitas vezes são ignorados! Poucos saberiam dizer quais foram os feitos do Marechal Rondon, por exemplo. Responda rápido: por que a capital do Acre se chama Rio Branco?

Se você não soube responder às questões acima, pense se não é a hora de começar a pesquisar a História de seu país...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Força Expedicionária Brasileira


Bom dia! Resolvi escrever hoje sobre a Força Expedicionária Brasileira (FEB) pois é um assunto pelo qual tenho especial interesse. O Brasil foi o único país sul-americano a enviar tropas para lutar na Segunda Guerra Mundial. A Argentina, por exemplo, só declarou guerra contra os países do Eixo quando a luta já estava praticamente decidida. Fomos praticamente forçados a reagir de alguma forma, uma vez que fomos atacados. Nossos navios mercantes estavam sendo afundados em alto mar e na Europa, e após o Brasil romper relações com os países do Eixo eles eram atacados em nossas próprias águas territoriais, levando muitos brasileiros à morte. Esse foi o fato de maior relevância para a formação da FEB, pois a opinião pública exigia uma resposta às hostilidades, afinal, muitos perdiam parentes e amigos.

Muita gente que curte estudar a Segunda Guerra não leu ainda sobre a nossa participação. Ela foi importante, podem acreditar! O Brasil, em acordo com os Estados Unidos, cedeu temporariamente locais no nordeste para a montagem de bases, facilitando o transporte de tropas aliadas que gastariam muito mais tempo e recurso se tivessem que partir de outro ponto. O saliente nordestino era chamado de "trampolim da vitória", e muito devem a ele os aliados.

Então essa postagem tem por objetivo despertar em quem a lê a vontade de pesquisar sobre nossos feitos na guerra!